

Eu estou relendo o livro “As deusas e a Mulher” da Jean Bolen. Por sincronia do
universo, li o Capítulo que fala da deusa Héstia justamente em julho.
Neste mês faria aniversário (se estivesse ainda entre nós) a minha tia e
madrinha, a quem eu chamava de “Dinda”. Ela foi sempre solteira e morou na
nossa casa desde o meu nascimento até que eu tinha uns 7 anos. Tudo isso me trouxe muito forte a presença dela nos últimos tempos.
Lembro dela me ensinando a cuidar das roupas, arrumar as gavetas, dobrar
meias... e tudo tinha um ar de brincadeira. Foi assim que descobri a magia
de lavar roupas. Talvez as mais novas só conheçam o ato de pegar a roupa e
colocar na máquina e pendurar na área do apartamento. Isso realmente não
parece muito mágico.
Mas na minha infância, nas sextas-feiras a Dinda tirava todas as roupas de
cama (brancas!!!) para lavar. Primeiro era aquela festa de espuma no tanque
cheio onde eu só alcançava em cima de um banquinho e fazia bolinhas de sabão com as mãos enquanto ela lavava. Depois vinha a minha participação mais séria. Ela colocava os lençóis sobre um gramado que tinha sido feito
especialmente para isso e deixava que ficassem lá quarando.
( Neste final de semana fazendo o curso com o Kaká Werá é que descobri que a energia feminina do sol chama-se Kuarací e deve ser ela a responsável por ajudar as roupas a ficarem mais brancas imitando o seu brilho.)
Então eu sentava sob o carramanchão e ficava brincando e ao mesmo tempo
cuidando para a roupa não secar. Quando ela mostrava que começava a secar eu ia lá com meu baldinho e jogava com a mão sobre ela fazendo uma chuvinha de água ensaboada. Outras vezes eu viajava no brinquedo e ouvia a voz da Dinda vinda lá do tanque “Olha o sol!”e eu corria fazer a minha chuvinha. Depois, quando ela achava que Kuarací já tinha feito o seu trabalho, pegava os lençóis e enxaguava. Aí vinha a parte mais mágica!! Ela enchia uma bacia grande com água limpa e eu pegava minha troxinha de pano com um pozinho mágico dentro (o anil) e ia passando e deixando a água toda azulada. Aí os lençóis mergulhavam naquela piscina azul e iam ficando cada vez mais branquinhos. Depois a Dinda estendia no arame e erguia com uma vara de taquara e eu ficava por ali pulando em baixo tentando alcançar e sentindo aquele cheirinho gostoso de roupa limpa.
Foi assim que eu aprendi a magia que cria o prazer de deitar numa cama com
lençóis cheirosos. Aprendi isso pelas mãos de uma deusa Héstia.
Que Kuarací a guarde com carinho no seu colo quentinho de luz...
Eita inspiração!!
ResponderExcluira roupa quarando, vai endurecendo em
formatos esquisitos..daí vem a água e
fica tudo molinho novamente :-)
em Portugal diz-se " fazer a cama de lavado "
quando se troca os lençóis.
adorei tua lembrança Rosa,
obrigada por compartilhares esta magia.